Formação do Postulando

ORDEM DOS FRADES MENORES – OFM

 

Aula 1- Introdução a vida Religiosa; Natureza do Postulando

Postulando

O Postulando é o período durante o qual o candidato pede para abraçar nossa vida, com a intenção de preparar-se convenientemente para o Noviciado.

Nesta etapa de formação, o jovem é chamado a desenvolver uma espiritualidade franciscana, bem como sua sensibilidade para perceber a realidade do mundo, especialmente na atenção para com os pobres, no crescimento humano e na disponibilidade para viver em fraternidade.

A vida espiritual de um postulante é alimentada pelas orações, celebrações comunitárias e com o povo de Deus, pela escuta atenta da Palavra de Deus, através de retiros e outras práticas religiosas franciscanas e da própria comunidade. Já a vida pastoral dos postulantes busca a participação na vida concreta do povo em comunhão com as atividades evangelizadoras da própria Fraternidade.

A vida em fraternidade do jovem postulante prioriza a alegre partilha tanto dos trabalhos manuais, como expressão de serviço aos irmãos, como da própria vida, através do diálogo fraterno entre os próprios postulantes e com o frade responsável diretamente por sua formação, o Mestre de Postulando. Não faltam as expressões de lazer e espontaneidade, como gratuidade da própria vida doada por Deus, como toda interação de convivência com os demais frades e religiosos.

Esta etapa é fundamental para aqueles que verdadeiramente buscam a abraçar a vida religiosa.

 

A vida religiosa

Frei é a designação dada pela Santa Igreja quando nos comprometemos a viver uma vida consagrada a Deus, para cooperar em sua messe, em nossos conventos e principalmente fora dele; onde nossa missão é levar Jesus a sociedade.

 Dessa maneira nossa ordem promove a vivência do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de nosso carisma, e nossos votos. (Pobreza, castidade e obediência)

Aula 2 – Vestes da ordem

 É importante que nesse momento você compreenda como se organizam os membros de nossa ordem, bem como as vestes que estes portam, para uma melhor identificação. Nossas vestes seguem alguns padrões para transmitirmos através delas um pouco sobre nossa espiritualidade, estas devem sempre ser portadas em nossas atividades e propriedades, bem como tudo que condiz a nossa ordem.

 

A veste dos Postulantes

Essa veste é a que você postulante irá portar durante sua caminhada, é a túnica marrom, com uma faixa presa a cintura.

 



A veste dos Noviços 

Os noviços usam o hábito da provação, este pode ser usado tradicionalmente em tons de marrom ou cinza, e com cíngulo amarrado, entretanto sem nós.

 

 

A veste dos Frades

Os frades consagrados portam o hábito em tons de marrom ou cinza, com o cíngulo de três nós, e opcionalmente podem usar juntamente o solidéu da ordem e a capa Franciscana.



 OBS: As cores do hábito em seus variados tons, e acessórios devem sempre ser sem HC para que com nosso voto de pobreza. (Salvo a capa Franciscana, um antigo adereço de nossa ordem.)


Aula 3- Aprofundamento: vida de São Francisco de Assis

Infância e Juventude

Giovanni di Pietro di Bernardoni, nome de Francisco de Assis, nasceu em Assis, na Itália, no dia 05 de julho de 1182.

Francisco era filho de um rico e conceituado comerciante e de uma grande herdeira nobre. Sua juventude foi repleta de regalias econômicas. Era um jovem popular entre seus amigos, com indisciplina e extravagâncias, por sua paixão pelas aventuras, e por tantas outras mordomias, mas mostrava uma índole bondosa.

Ajudava seu pai no comércio, mas viver atrás de um balcão não lhe atraia. Ele desejava ter a fama de um herói, decidindo se tornar cavaleiro.

O cavaleiro de Assis

Em 1202 houve uma guerra entre duas cidades italianas: Perugia e Assis. Francisco alistou-se como soldado e participou das lutas. Foi prisioneiro por quase um ano. Em 1203 é libertado e regressa a Assis.

Ao ser libertado caiu doente, episódios de febre que ocorreram durante o ano de 1204.

Recuperado tentou novamente a carreira das armas, engajou-se em 1205 no exército papal como escudeiro de um nobre, animado com a perspectiva de glória.

Durante o percurso, ao encontrar os mendigos, vai se desfazendo de seus pertences.

Início da conversão

No trajeto tem um sonho, ou uma visão, que dá outro rumo a sua vida e o faz voltar para Assis.

Ouviu uma voz a dizer: "Quem te pode ser de mais proveito? O senhor ou o servo?" Francisco responde: "O senhor". Ouviu novamente a voz: "Então por que deixas o senhor pelo servo e o príncipe pelo vassalo?". Confundido, Francisco disse: "Que queres que eu faça?", e a voz replicou: "Volta para tua terra, e te será dito o que haverás de fazer"

Decide voltar para sua casa, sem a glória que a família esperava. E desde então começou a perder o interesse por seus antigos hábitos de vida e mostrar preocupação pelos necessitados.

Nessa época acontece o célebre episódio do encontro de São Francisco com um leproso, no qual São Francisco ao ver o doente caído, desce de seu cavalo e o cobre com seus mantos, o dá o beijo da paz e a benção do crucifixo de São Damião. Este parece ter sido o ponto de virada em sua vida.  


A Cruz de São Damião - Início da vida de pobreza 



 Em 1206, orando na capela de São Damião, em Assis, Francisco ouviu de Deus, que lhe falou por um crucifixo as seguintes palavras: "Vá, Francisco, e restaure a Minha Casa que está em ruínas!". Imaginando tratar-se de reconstruir a Capela, volta para casa, vende boa parte dos tecidos do pai, doando o dinheiro para o padre, a fim de que ele restaurasse o prédio decadente.


Após saber das renuncias do filho, o pai de Francisco buscou-o na igreja e o acorrentou na casa da família, a mãe o libertou e ele voltou à igreja, mas o pai voltou novamente para busca-lo dizendo que Francisco deveria renunciar toda a sua herança se escolhesse viver aquela vida.

Então Francisco, despido de suas vestes, renunciou a herança, pediu a bênção ao bispo, e foi viver uma vida de pobreza da qual jamais retornaria.

Tomando ao pé da letra o que o crucifixo de São Damião ordenara, já sem dinheiro, foi pedir esmolas para reformar a igreja. Se tornando pedreiro e ajudando na construção de igrejas ao redor de Assis. Foi morar em uma capela chamada de Porciúncula. 



"Ordem dos irmãos Menores de Assis”

Em 1209, Francisco escreve a "forma de vida", a regra que o Senhor o havia inspirado para fundar uma irmandade mendicante.

Viaja a Roma com seus onze primeiros companheiros, e o papa Inocêncio III, depois de um sonho em que vê um religioso que julgara ser Francisco, aprova de forma verbal seu modo de vida.

Estava fundada a nova irmandade que mais tarde se tornaria a Ordem dos Frades Menores.

Regressam a Assis. Se instalaram em cabanas no alto dos montes e no interior das cavernas, onde se dedicam ao cuidado dos leprosos, ao trabalho manual e à pregação, vivendo uma vida de pobreza.

Também nessa época, São Francisco decide se tornar Diácono, passando então a ser ordenado ao primeiro grau da Ordem.

Em 1212 a Ordem foi enriquecida com a primeira mulher, Clara d'Offreducci, a futura Santa Clara, fundadora do ramo feminino dos Frades Menores, as Clarissas.

Então com a Irmandade formada, eles passam a se dedicar integralmente à pregação pelo mundo, em vários países. Nesse período, em uma das peregrinações os franciscanos tiveram seus primeiros martírios, cinco discípulos foram mortos, em Ceuta, pelos muçulmanos, pois recusaram sua conversão ao islamismo.


A regra bulada

Ao fim da grande peregrinação, Francisco volta a Itália e vê uma divisão na Ordem, estava uma grande confusão, muitos queriam abandonar o rigorismo da Regra inicial.

Francisco elaborou uma Segunda regra, em 1221, em essência era a mesma, e não foi eficaz.

Em 1223, aparentemente com poucas modificações novas, o novo texto foi enviado à Roma para aprovação papal, mas recebeu ainda muitos outros ajustes e cortes por parte do cardeal guardião da Ordem (Cardeal Ugolino, futuro Papa Gregório IX, que canonizaria Francisco) e finalmente foi confirmado pelo papa Honório III, na bula Solet annuere, de 29 de novembro de 1223, graças a isso ficou conhecida por Regra bulada.

Segundo os relatos, a Regra bulada só foi aceita por Francisco por força da obediência que devia ao papa, pois essas mudanças pouco refletiam o espírito original franciscano.


Dois últimos anos e Morte 




Em 1224, doente, Francisco de Assis é obrigado a moderar suas atividades. Nesse mesmo ano renuncia a direção efetiva da irmandade que criara, entregando ao novo ministro, Frei Pedro Cattani. Ele parte então para morar na Floresta junto à natureza e aos animais, quem tanto amava, e ali enxergava a magnífica obra de Deus.

Durante uma dessas meditações, em 14 de setembro de 1224, no dia da Festa da Exaltação da Santa Cruz, no Monte Alverne, Francisco viu a figura de um homem com seis asas, semelhante a um serafim, e pregado a uma cruz, e à medida que continuava na contemplação, sentiu se abrirem em seu corpo as feridas, nas mãos e pés, como se tivessem sido atravessados por pregos, que o tornaram uma imitação do próprio Cristo crucificado. Foi, dessa forma, o primeiro cristão a ser estigmatizado, embora isso lhe trazia alegria, também foi motivo de muito sofrimento físico.

Padeceu de outras enfermidades. Doente, e sentindo a morte próxima, Francisco implora que o levem para Assis, onde quer morrer. Foi despedir-se de Clara e das irmãs em São Damião e voltou à Porciúncula.

São Francisco de Assis faleceu rodeado pelos discípulos, em Assis, Itália, no dia 3 de outubro de 1226.

Dois anos depois de sua morte, é canonizado pelo papa Gregório IX.

 OBS: A Postulantes não clérigos, que por ventura queiram também adentrar a nosso clero, aplica-se neste momento a formação da Santa Sé. https://apostilahb.blogspot.com/


Referências:

[1] Apostila Formativa Biográfica (habbiana)


Atualização feita por: 
Diácono Perm. Frei Francisco Reis, OFM 
Promotor Vocacional

Última revisão feita no dia 26/03/2021, pelo Frei Francisco Reis